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quarta-feira, março 31, 2004

A ambição, na maior parte dos seres, não desenvolve os talentos individuais, aumenta as canalhices pessoais. A mais valorosa ambição é a de mais ser e não a de mais ter. Mas, considerando que o mundo se encontra num valente estado de merda, convém não descurar a conta bancária.

Subsídio de doença desce a partir de amanhã. Felizmente fui operado nos bons velhos tempos e recebi a fabulosa e generosa quantia de 65% do meu vencimento. Mas também que raio, um gajo a soro não precisa de whisky. Agora, conforme vou ficando mais velho, só tenho de me manter mais saudável também. Faz todo o sentido.

IRS - cerca de 90000 contribuintes esperam devoluções. Manuela F. Leite congela reembolsos. 'Tão a ver? Eu bem tenho razão em chegar lá tarde com o meu carcanhol. É que a ministra também já conhece o princípio: pagar e morrer, quanto mais tarde melhor.

Cada vez mais jovens se desinteressam da vida política e das eleições. A ponto de nem se recensearem. Só espero que não liguem às patetices do Saramago e não comecem depois a votar em branco. Deixem-se estar assim, que estão no bom caminho. Não me desiludam ó juventude!

Está bem, está bem, exaltei-me. Quero redimir-me do post de ontem acerca do domínio da nossa língua por parte dos ucranianos. Ressalve-se, no entanto, o caso dos moldavos. É que depois disso, e estando eu num dia profissional, pessoal e emocional, bastante agitado, um nosso - da empresa onde trabalho, colaborador ucraniano disse a uma colega: O senhor Nuno está muito estranhoso! Convém muito a propósito salientar, que estamos na terra onde se dizem, a torto e a direito, calinadas do tipo: "eles andem aí". Em convívio com a malta da Faculdade de Letras, esta cambada já recitaria poesia ao nível do Júlio Dantas. E com vodka q.b. entenderiam Almada Negreiros.

terça-feira, março 30, 2004

Em Moçambique Durão Barroso elogia a descolonização. Ah! os ares robustos da África austral que incentivam emoções apaixonadas e revolucionárias. Paulo Portas: aproveita a ausência do dito na ex-colónia e aplica um golpe palaciano.

Peter Ustinov morreu. Acontece aos melhores. O epitáfio escolhido: Não pisem a relva! No meu caso, e estamos obviamente em Portugal, já tinha pensado em inscrever: É favor mijarem longe, não suporto ácidos!!! E isto não é capricho de um ser diletante, é ter problemas de refluxo gástrico.

Retoma europeia é lenta e depende das exportações
Que Deus nos abençoe, ó Lusitânia improdutiva!

Entra um ucraniano numa loja de ferragens e pede ao dono uma factura, pelos vistos coisa pendente. O dono responde em tom jocoso -Queres uma fractura? Ao que o outro responde em sotaque de leste - No méu caso sô se fôr fracturá ucrâniâna! Ora digam-me lá se esta malta não tem sentido de humor apurado e um domínio invejável da nossa língua.

segunda-feira, março 29, 2004

Uma mui valorosa e histórica fuga em frente.

domingo, março 28, 2004

And now something completely different: África outra vez!
Governo português muda-se para Moçambique. Ó pá não voltem mas mandem notícias sempre.

Ainda acerca de África: os portugueses estão a regressar de armas e bagagens. Para Moçambique é capaz de resultar. Agora em Angola, além das armas e bagagens, convém levar próteses, detectores de minas, e um batalhão de seguranças.

Temos de olhar África com um olhar africano. Se tu o dizes pá, e desde que não se fique estrábico, tudo bem. Mas convinha muito mais que os africanos olhassem a Europa com um olhar europeu.

sábado, março 27, 2004

Ser conservador nos dias de hoje é ser revolucionário. A vanguarda terá de passar pela preservação de valores que contrariem a massificação e a estupidificação global. A individualidade está cada vez mais comprometida em nome de um colectivo rumo ao absurdo, e a personalidade filtrada em padrões estabelecidos. É urgente enlouquecer um pouco e sabiamente no quotidiano, para que a vida não se torne num anúncio de televisão.

Luis Nazaré diz que o PS está velho. Eu diria mais: tem todos os sintomas de Alzheimer.

sexta-feira, março 26, 2004

Se bem que Alexandre O'Neill o tenha dito - "o que tem de ser tem muita força", convém lembrar aos mais fracos de espírito, que é precisamente contra o ter de ser que toda e qualquer luta se organiza. A vida, em última análise, é uma odisséia de contrariedades, e se a natureza dificilmente se pode combater, já não faz sentido acatar a boçalidade social. As existências rasuradas de grande parte dos seres e os mecanismos em que engrenam, não nos deve impedir de coisa alguma. O meu ter de ser é ser livre, e isto sim, tem muita força.

quinta-feira, março 25, 2004

"A Democracia Ocidental está ferida de morte". Pois é. Pois está. Mas quando alguém fala em eutanásia para a mesma é apelidado de fascista. Além disso, a sua votação em branco vem tarde demais em relação à abstenção maciça que defendo há vinte anos consecutivos. Votar, mesmo em branco, é perpetuar o sistema. A ausência de ida às urnas, essa sim questiona tudo. E, já agora, o que pensa o Carvalhas desta sua lucidez?

quarta-feira, março 24, 2004

"PORTUGUESES FALIDOS" - parangona da revista Focus de hoje.

Agora todos em coro:

"Bem vos dizia que era grande e não cabia
Bem vos avisava que era grosso e não passava"

Perdoa-me, diz ela, ontem à noite perdi a cabeça.
Mas como se pode perder uma coisa que não se tem?

terça-feira, março 23, 2004

'TOU DE VOLTA. Coño!

Quatro dias de ausência, em terras do Reino de Espanha.
Voltei. Mas não queria. Ficaria por lá de bom grado. Razões? Um meu congénere profissional ganha o dobro do que eu ganho; o arrendamento dum apartamento custa 3/4 do valor por cá; um automóvel decente, em segunda mão, é simplesmente o equivalente ao ganho de um mês de trabalho; as mulheres sorriem naturalmente e falam abertamente com quem as aborde, porque sabem que assim ficam mais lindas; a gasolina é mais barata e o vinho também; um poeta ainda é respeitado por todos, mesmo que nem sequer saibam o que ele escreve; uma ideia nova é sempre coisa encarada com luminosidade; as noites têm calor humano (e não lança-chamas descontrolados, ó bestas lusitanas); o futebol só existe na noite dos jogos e depois têm todos mais que fazer; o rei tem dores de dentes e todos choram; as guitarras tocam por tudo e por nada, e quando não há nada para dizer, canta-se! Porque voltei? Porque sou saudoso-masoquista. Melhor: por cá, tudo isto é triste, tudo isto existe, tudo isto é fado!

quinta-feira, março 18, 2004

Há toda uma inegável força, da qual desconheço a razão mas pressinto a origem, que me impele no sentido não da nostalgia, mas de ir ao encontro de um passado que saboreei, repleto de seres, rituais e ofícios, os quais teimo em preservar não só na memória, mas também na sua persistência física no quotidiano. Contribuo assim, indo aos barbeiros e sapateiros, indo aos reparadores de coisas em vez de comprar coisas novas, indo ás mercearias e não às grandes superfícies, para que todos estes representantes do povo – o povo que interessa, cândido e singelo, possam sobreviver. Não há altruísmo nestes gestos, há sim um egoísmo imbuído de estética da raridade. Há que promover uma inovadora ecologia social, em defesa de quem está em vias de extinção. Um pescador artesanal começa a ser mais raro que um lince da Serra da Malcata.

quarta-feira, março 17, 2004

José Magalhães (PS) promete dar uma dor de cabeça por semana ao Governo. Ah! brilhante método inopinado. É a velha questão da oposição em Portugal ser sempre constituída por problemólogos e não por solucionólogos. E não lhes passa pela cabeça que o governo, embora sendo um "parece-estar-mole", já se tenha munido de paracetamol para o efeito? Ó rosa murcha, envidai neurónios espevitados para que saia frescura de vossas cabeças. O povo agradeceria pelo menos o esforço.

O Barroso é inimputável! O Barroso nem sequer existiu, com patente comprovada, no conflito do Iraque! O Barroso é inócuo e inofensivo nas lides internacionais! E juro que estou-me cagando para as opiniões comunas, com as suas parangonas murais! Mas os sacanas dos árabes islâmicos irredutíveis é que são manhosos e armadilhados de segundos sentidos e terceiras interpretações, e vai daí, pumba outra vez! E com isso quem vai pagar é, inevitavelmente e mais uma vez, o povinho! Tal como em Espanha. Mas não é isso a História?

Só no tempo dos assassinos? Obrigado ó Jorge Palma, my friend, pela ajuda insignificante, mas interveniente, na causa dos solitários que nem sequer fazem parte de minorias; mas tudo isto não fica somente por aí - e é bom que tenhas consciência disso.
Só, no tempo dos mentecaptos que aprovam esses assassinos. Só, no tempo das alimárias que fornicam com os ditos. Só, no tempo dos medíocres que fazem fortuna com os citados. Só, no tempo dos políticos que precisam dos mesmos. Só, no tempo dos cobardes que pactuam com todos eles. Só, só, sempre só, caralho!!!!

terça-feira, março 16, 2004

Ó minha besta, carne como a tua há no talho em melhores condições. Era a alma, a devoção, o seres linda até na minha morte, o saberes ser rainha para eu poder ser rei. E como ser um deus entre os mortais, se as deusas que nos calham em sorte e destino são todas cabras?

domingo, março 14, 2004

A Leste nada de novo. Estaline sucede a Estaline. Oops, perdão: Putin sucede a Putin. Portanto, Putin mas não flan. Já agora, aproveitando a frescura do tema e do balanço da girls-band russa Poyushchiye Vmeste (damos um doce a quem conseguir pronunciar) que tem uma cançãozinha para o grande dirigente, fica a ideia para formação de um trio de estalo com a Rute Marlene, a Mónica Sintra e a Ágata, com o nome de "Laranjinhas atrevidas". O primeiro lançamento, de sucesso imediato, seria um hino pimba com a seguinte letra:
«Alguém como Barroso, que é muito forte.» Em coro: «Alguém como Barroso, que não é abusador/ Alguém como Barroso, que não é ofensivo/ Alguém como Barroso, que não foge às responsabilidades.»

sábado, março 13, 2004

"O massacre não se pára só com retórica e polícia. O terror vive à sombra da respeitabilidade política que indirectamente lhe concedem. O nacionalismo basco é absurdo; e o mundo islâmico é uma civilização medieval e falhada. Convém começar pelo princípio." - Vasco Pulido Valente no DN de hoje

Ora nem mais. A lucidez começa a ser tão rara nos dias de hoje que quando nos surge à frente, espanta-nos pela limpidez da sua afirmação.



A melhor definição da dor causada no povo espanhol, pelos acontecimentos de Madrid, foi dita por um madrileno: "Este atentado fez duzentos mortos e quarenta milhões de feridos"

Mais uma vez a velha frase: " Um país onde Camões morreu à fome e onde todos enchem a barriga de Camões. "

quinta-feira, março 11, 2004

Dando os trâmites por findos: não pode haver tolerância para filhos-da-puta neste mundo, vindos de qualquer quadrante: político, geográfico, religioso, ideológico ou ocasional.

Se o post anterior apontava numa direcção, tal não foi feito por incúria ou leviandade de opinião, mas apoiado nas informações quase definitivas que nos davam os media espanhóis. A acreditar que tenha sido a ETA, o que duvido, a perpetrar o morticínio desta manhã, tudo o que disse no post anterior, faria e continuará a fazer sentido. No caso da mortandade ser obra árabe, tudo o que disse anteriormente, também não perderá a sua validade.

Depois dos acontecimentos desta manhã em Madrid, com a atitude bárbara por parte de um coto sangrento e autónomo do corpo de uma organização moribunda e afastada da renovação da realidade que o mundo actual implica, em termos de novas ideias, novos ideais e novas práticas, resta-me comentar que, se nada justifica o terror e o morticínio, tal princípio se terá de aplicar também, e cada vez mais, ao consumar de outras violências em nome da democracia, em qualquer ponto do mundo, por muito subtis que sejam. O terrorismo é sempre a mesma substância comportamental, quer seja de psicopatas ou de Estados.

quarta-feira, março 10, 2004

Baixei na sua consideração? Óptimo, ó palerma! Considerando que as suas avaliações, a sua moral e o seu respeito, são para mim, abjectos, irrelevantes e perpetuadores da merda no mundo, não fiquei a perder coisa alguma.

terça-feira, março 09, 2004

Já cá estou. Custou mas foi!!

Muito embora o SULturas Light - Pasquim Regional de Incontinência Mental Nº2, esteja a fermentar, injustamente e há mais de 20 dias, na tipografia, ocorre-me revelar em primeira mão os comentários recebidos na redacção, referentes ao nosso incomensurável espírito obreiro. Inevitavelmente estes mesmos comentários terão de sair na edição em papel. Ora aqui vai:

COMENTÁRIOS À NOSSA PUBLICAÇÃO
(que muito nos honram - a nós, aos seus autores e aos leitores)



Nunca tantos deveram tanto a tão poucos.
Semanário de Hengyang – CHINA

Pura e excelsa cocaína intelectual.
Jornal de Notícias de Budaramanga – COLÕMBIA

A prova evidente da grandeza de espírito dos condenados ao sufoco da pequenez geográfica.
Matutino de Belmopam – BELIZE

Apenas duas coisas nos aquecem a alma: o vodka e o SULturas.
Notícias de Baykonur - CAZAQUISTÃO

Com portugueses desta envergadura assentiríamos, de braços abertos, em ser colonizados.
Diário de Bujumbura – BURUNDI

Um novo continente do pensamento está, começando assim, a ser desbravado.
Vespertino de Kalgoorlie – AUSTRÁLIA

A Perestroyka cultural do novo milénio iniciou-se, agora mesmo, no sul de Portugal.
Semanário de Yakutsk – RÚSSIA

Afinal nem tudo está perdido na Europa. Vislumbramos, finalmente e muito embora no canto oposto e com as inerentes divergências em matéria de bacalhau, os mais brilhantes timoneiros para a grande viagem a empreender na civilização do séc. XXI.
A Voz de Nordkynn – NORUEGA

O Algarve deveria pôr os seus olhos nestes valorosos e intrépidos arautos duma nova era nacional, sendo, por sinal, os mais virtuosos dos seus novíssimos representantes culturais.
O Trombeiro das Berlengas

Pretensiosos, desvairados, por vezes ébrios, mas sempre inspirados e inebriantes. Uns gajos marafados do cacete.
Alcoólicas Anónimas Algarvias

Impossível catalogar toda uma obra que nos transcende. Promissora, no entanto, a futura canonização destes abnegados e excelentes rapazes.
Catálogo Hagiográfico do Decénio – VATICANO


domingo, março 07, 2004

Ah! o prazer das noites modernas. O êxtase do tiroteio e o júbilo da facada, sempre ao som de batucada. O encontro de culturas - lusitana e africana. O convívio enriquecedor da paulada. A adrenalina em doses de bué. Como lastimo ter vindo ao mundo vinte anos antes de tudo isto.

sábado, março 06, 2004

E porquê eu precisamente dentro de mim?

Não é a fluência dos termos, nem a eloquência ou a excêlencia do estilo.
Tão-pouco a verborreia da erudição ou a evidência da intuição.
Mas tão-só a pertinência das ideias.

quarta-feira, março 03, 2004

Diz-me precisamente o que quero ouvir. O resto não me interessa. Não porque sejas um mero prolongamento de mim, mas para que não deixe de fazer sentido o verbo amar. Difícil? Pois seja. Mas executável com doses maciças de compreensão.

terça-feira, março 02, 2004

Ó maralhal doutorado, um pedido de esclarecimento:Onde se cursa o talento? Em que obra se aprende o inédito? E como explicar o óbvio ou equacionar o intuitivo? Chiça! que V. Exas. aborrecem-me de tédio e fustigam-me de apatia.

segunda-feira, março 01, 2004

Descubro sempre uma série de coisas muito mais tarde na minha vida. A máquina de barbear tinha uma escova de limpeza incorporada e só dei por isso três anos depois. O meu carro dava duzentos e dez à hora e só disparei isso dois anos depois. A namorada tinha orgasmos incorporados e só reparei nisso um ano depois. Etc. Etc. Etc.

O Futebolismo é a religião oficiosa do povo português. O fervor imperante fez com que emergissem novas catedrais. A mística intensifica-se. O antegozo do Campeonato da Europa vai levando as massas a riscarem os dias no calendário com apaixonada devoção. A imprensa fervilha. A primeira página da edição do Público de domingo passado ilustra claramente esse fervilhar. Anuncia um novo coleccionável. Sobre futebol. A manchete principal — que expressa a vontade do PSD em usar a educação sexual para prevenir o recurso ao aborto — destaca-se de um fundo negro, emoldurado por um dos pentágonos de uma bola imensa. Uma bola onde cabe tudo. Até o Benfica de outros tempos. Uma bola proporcional à nossa vocação para o delírio. José Ferreira Borges in "a oeste nada de novo - blogue da periférica"
GOLO! GOLO! GOOOOOOLLLLLLLLLOOOOOOOOOOOOO!!!

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